Victor Prado: Ecdise

6.6.14

Ecdise

1.
em milagres faria intervenções
transformaria as perdas
em pedras palpáveis e membros fantasmas
em ambiguidades
e logo cada caminho seria recrutado por determinismos
na época das moscas e aranhas

de observadores são os muros e os matos
de barulhos embrulhados permanece o ar
cada criança corre sua vida
e se apressa no desmanchar do casulo
em desfazer seu ninho
no deslembrar de seu nicho
mas
os lobos guardam
caminham calmos
os lobos sabem empacotar vontades

2.
montanhas não existem por aqui
os rios cortam mais que lâminas
tu não és peixe nem anfíbio nem réptil
e esse teu coração pulsa nas mãos
pula
teu coração pula
dele saem regatos por teu pulso

o centro de tudo é consequência
por isso generalizações se formam

3.
os quero-queros não representam vontade
mas insistem
não me representam
não insisto

na pressa os pés
e o leite
choramos a dor e o derramado
no chão as coisas estão no mesmo plano
mas existem coisas que não são coisas
assim como aqueles regatos insistem em sair por teu pulso

as horas veiam a presença
e embrulham o dia com jornais antigos
cozinham a existência em etileno

4.
na minha continuidade as pausas são necessárias
pra remontar céus azuis de dias regulares
pra que o fio da meada não me perca

nas presas achamos pares
principalmente quando elas retiram suas fantasias.

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