Victor Prado: 2015

12.10.15

Toda Arte é Um Risco II



I want to say                       Eu quero dizer
   that my body will            da beleza e da
remain whole                      plenitude
                                            em sons de
                                            interferência
                                            numa tarde caída
                            enquanto
                                            Minha pele traceja
                                            o caminho do último
                                            sol;

                                            Eu resgato o fim da
                                            última década
                                            num descuido
                                            metodológico
                                         e
                                            A nostalgia me mastiga com todos os dentes.
Estudarei tuas intempéries
para que possa resistir a teu tempo
                                              a fim de que
                                              minhas paredes
                                              consigam se manter
                                              assentadas nesta
                                              terra
Junto ao sol onde tuas mágicas
deixam os planetas enciumados.
Abstenho-me das unanimidades
para preservar o caráter
amanhecedor das falhas;

Resignar a ponta dos dedos me
                  parece um sonho romântico
assim como toda a obra de
minha vida.

Lembrete

Eu percebo
   e precedo
    tua boca.

São oito e meia da noite.

Sete de janeiro de
dois mil e quinze
não ficará pra história.
       nove de janeiro, talvez.

II

Eu teria comprado todas as nuvens
   mas disseram que era
   melhor esperar pelas promoções.

III

Quero significar algo,
mas é necessário
paciência
quando construímos uma história.

9.10.15

Dinâmica Para Não Esquecer

E ao correr nas nuvens
perderia o sentido do chão;

O mergulho de cabeça traz uma espécie de alegria colérica
onde o mundo se desfaz miúdo e depois gigante;

Nós somos as sementes de nossos dentes plantados nas outras peles,
nós somos também outras peles;

A transposição desses desafios não traz à cabeça nenhum novo rio
Muito menos há o reforço dos já existentes,
Então, digo que fazer hidrelétricas nesses rios voadores é um exercício de aprendizagem
Mas não se aproxima da prática pura,

As coisas percebem a si mesmas e as outras, mas só quando ninguém está olhando.
Quando as coisas não estão olhando, a terrível lucidez levanta-se e todos os olhos se fecham.

(sem título) 2

Maduram teus cabelos em
meu rosto;

Te sorrio dum lugar absurdo;

As monções gastam o tempo;

São inteiras as gotas,
São inteiros, também, os quilômetros
e um dia não basta:
a vida é muito escassa
e, também,
ela não basta.

Desmaie em mim tua presença
e me faça as denúncias dos
teus sonhos; Eu diria que preciso,
se soubesse o quão preciso te
seria este som.

Almejo escalar as constelações
e sentir teus cabelos madurarem
em meu rosto e teu pássaro
fazer ninho em meu peito,

Sempre fui árvore a admirar teu voo.

Epítome

Ela tem a idade das flores
e o vermelho dos dias
e o azul dos ventos

e todas as esquinas param
quando eu a vejo.

Nunca reconheci as distâncias
entre os tempos, nem fui ao mar
depois que minha consciência
se firmou sem as rodinhas

Mas tenho praticado com afinco
a observação dos postes e suas luzes,
do amor das árvores com os fios de energia,
da luxúria de cada janela e da interminável
solidão das construções no horizonte
da cidade.

Tenho corrido com esses pés de pato
através deste lamaçal que é o agora.

Num instante, ainda a chegar,
a abrangência das portas assumirá
um caráter mítico
e tudo que tenho dito fará sentido
- e, então, será esquecido.

I

II

Quero ser um joão-de-barro
e desafiar a lógica dos lobos.


Toda Arte é um Risco







1.10.15

Insônia - versão musicada pelo Tuba

Esse é um trabalho (muito bem feito) do Tuba em cima do poema Insônia, presente no Mamute. Essa ideia vem desde o ano passado e agora vocês podem ouvir ai!!
Valeu Tuba! O som ficou impecável mesmo!!

Você pode ouvir o poema aqui:


21.9.15

MAMUTE - edição ampliada

Nasceu!!! Esses são os primeiros exemplares do meu livreto de poesias, Mamute: edição ampliada!! Eles tão uma lindeza só!! Esse projeto foi feito com muito carinho e esforço, então, se você puder leve um ou dois ou dez exemplares pra casa, espalha pros amigos, fala pros vizinhos, enfim.

Deem uma força e ganhem essa belezura!!!


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O livreto tá saindo por 10 reais + o frete, se não tiver como eu entregar pessoalmente. Ele vai com dedicatória e tudo mais!!









5.6.15

O tempo é um monstro engolidor de ventas
Nós somos velhos navegadores e nossa terra jamais conheceu nossos pés
Tanto quanto se diz é dito pelo dizer
E todos os dias os sapos nos descem pela goela
Que nossa voz já é um coaxado insustentável

Derramem ao menos nosso sangue
Nesse chão flutuante
E vejamos se ele basta para transformar madeira em amor

E façam dos remos novas asas
E voemos. Nossa casa é o procedimento. O procedimento é prosseguir.

E voamos.