Sobe na cadeira e faz um escândalo
Hoje é 16
do primeiro mês
do ano do ceifeiro
Sobe na cadeira
Senta com as pernas abertas
E os braços cruzados e pergunte a sua tia sobre o galinheiro
Tua prima não é uma galinha
Teu tio não é um pastor alemão, mas tem o bafo
E as facas e os porretes e os tranquilizantes e as tesouras
E todo o carinho do mundo para tosquiar as árvores que guardam a calçada de casa
As ovelhas de olhos vermelhos e patas trêmulas agradecem
Agora, levanta da cadeira
Come os bolinhos que sua vó fez com a chuva e com o óleo
Hoje, a oca quase virou fogueira
Sua vó poderia ser uma química de renome que viveria igual a Adélia,
Fazendo experimentos com palavras e descobrindo novos sentimentos radioativos
Novos jeitos de brilhar a aura quando se mostra os dentes pra um comentário sem graça
Promete pra mim
Que sim, que mesmo que sua mãe te tranque nessa gaiola
E engula a chave, como de costume
Tu continuarás a sentar na janela e aumentarás a frequência de teus cantos
Que tuas penas não se transformarão em escamas brilhantes de verde e vermelho
Nunca.
Se quiser até peço uma pílula pra sua avó química
ou mesmo a receita do feijão que você gosta;
mas se tua mãe te trancar nessa gaiola de garras febris
promete
que tu subirás nessa cadeira e farás um escândalo?
18.1.16
10.1.16
Dói
Dói tanto o teu
beijo
Emaranhado num
monte de cabelos
E fios de energia
que descem de tua cabeça de lâmpada
Estou.
De noitinha
Quando ela ainda
é muito jovem
Tem esse olhar
triste sob o céu
Algo de ovelha
num pasto verde que também é um penhasco onde as ondas não são piedosas com as
pedras.
Mas aqui não
existem pastores e desconheço as ovelhas ou os campos verdes que também são
penhascos.
Mas dói
Isso sim.
Então, olho o
teto da casa, as telhas, as paredes de tijolo e barro
Olho o chão de
ardósia, as vigas de madeira velha
Os rebocos
Então, dói ainda
mais.
Lamberia as
folhas da árvore da vida
E comeria todas
as crias do Tempo
Para fazê-lo
entender o que nós somos
Para amenizar
O rito da
partida.
Esse ritual
macabro de sacrifício humano: o até logo
ou o volto daqui uns dias.
2.
O inatingível ainda tem o cheiro do almoço de domingo
E as vozes de
todos
Os pratos
Os copos
Os garfos
Festejamos o
inevitável.
E o lamentamos
também.
3.
Oh Orpheu
Oh Eurydice
4.
Ir também é uma
forma de ficar.
7.1.16
Cabresto
novamente as cracas:
tão belas e imponentes.
e ao muro caminha um cavalo marinho
infértil
potro estéril
tubarão de peixe-palhaço
falador
de ações gagas.
e mostra e regozija-se
brilha de óleo
bijuteria pura e fina
da melhor qualidade
daquelas fotos profundas pintadas no chão
dicionário filantrópico
de prática teórica.
e as cracas riem
cagam suas risadas
no chão etéreo
e o potro mostra os dentes
impõe sua crina ébria
lambe
sua língua áspera e confortante
o muro
percebe-se majestoso
as cracas riem.
criador de falácias
agarra-se à parabólica
lança-se num número magistral
gran-finale
para seu xucro espetáculo.
6.1.16
4.1.16
Anunciação na Enfermaria 6
E o ano se inicia com tremenda alegria!! Meu poema Anunciação está na Enfermaria6! Muito obrigado aos editores!!
Segue aqui um trechinho:
De dentro das entranhas carnavalescas
as árvores abanam suas fuças;
as árvores abanam suas fuças;
Daqui a 2 ou 3 éons
as pedras aprenderão a falar
e não haverá ser que
reproduza os diálogos desta
que será uma língua arcaica-oral.
as pedras aprenderão a falar
e não haverá ser que
reproduza os diálogos desta
que será uma língua arcaica-oral.
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