Dói
Dói tanto o teu
beijo
Emaranhado num
monte de cabelos
E fios de energia
que descem de tua cabeça de lâmpada
Estou.
De noitinha
Quando ela ainda
é muito jovem
Tem esse olhar
triste sob o céu
Algo de ovelha
num pasto verde que também é um penhasco onde as ondas não são piedosas com as
pedras.
Mas aqui não
existem pastores e desconheço as ovelhas ou os campos verdes que também são
penhascos.
Mas dói
Isso sim.
Então, olho o
teto da casa, as telhas, as paredes de tijolo e barro
Olho o chão de
ardósia, as vigas de madeira velha
Os rebocos
Então, dói ainda
mais.
Lamberia as
folhas da árvore da vida
E comeria todas
as crias do Tempo
Para fazê-lo
entender o que nós somos
Para amenizar
O rito da
partida.
Esse ritual
macabro de sacrifício humano: o até logo
ou o volto daqui uns dias.
2.
O inatingível ainda tem o cheiro do almoço de domingo
E as vozes de
todos
Os pratos
Os copos
Os garfos
Festejamos o
inevitável.
E o lamentamos
também.
3.
Oh Orpheu
Oh Eurydice
4.
Ir também é uma
forma de ficar.
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