Victor Prado

10.1.16

Dói
Dói tanto o teu beijo

Emaranhado num monte de cabelos
E fios de energia que descem de tua cabeça de lâmpada
Estou.

De noitinha
Quando ela ainda é muito jovem
Tem esse olhar triste sob o céu
Algo de ovelha num pasto verde que também é um penhasco onde as ondas não são piedosas com as pedras.
Mas aqui não existem pastores e desconheço as ovelhas ou os campos verdes que também são penhascos.

Mas dói
Isso sim.

Então, olho o teto da casa, as telhas, as paredes de tijolo e barro
Olho o chão de ardósia, as vigas de madeira velha
Os rebocos

Então, dói ainda mais.

Lamberia as folhas da árvore da vida
E comeria todas as crias do Tempo
Para fazê-lo entender o que nós somos

Para amenizar
O rito da partida.
Esse ritual macabro de sacrifício humano: o até logo ou o volto daqui uns dias.

2.
O inatingível ainda tem o cheiro do almoço de domingo
E as vozes de todos
Os pratos
Os copos
Os garfos

Festejamos o inevitável.

E o lamentamos também.

3.
Oh Orpheu
Oh Eurydice

4.

Ir também é uma forma de ficar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário