Victor Prado: outubro 2014

29.10.14

Stratus

o curso do rio,
siga o curso do rio

tu me repetias
mas eu não entendo teus diagramas
tuas resoluções tuas limiares
tuas concessões
eu não entendo quando tu apontas o dedo pra lá do próprio horizonte
e com dentes frouxos salivas essas palavras de um dialeto que deveria morrer

segue o rio
só isso
aquele que vira depois da mata
aquele que corta pulsos
aquele rio
segue o curso dele

sabe quando a gente balança a cabeça depois de muito tempo sem ter que balançar a cabeça? vem o medo do torcicolo? ou o medo de esquecer como se balança a cabeça? sabe quando a gente olha e vem a vontade de balançar a cabeça?

porque sim
porque ele não é fundo
porque ele é calmo
porque bebe-lo é quase ascender ao impossível
é brotar-se igual feijão num copo qualquer
é despojar-se e dizer ao vento:

cuspa-me por essas estradas
e não me olhe nos olhos
deita-me, então, e desposa-me
faça de mim redemoinhos
e numa curva qualquer esqueça-me,
pois sou tua, mas não sou pra sempre.

18.10.14

Mamute - Victor Prado

Eis que surge no horizonte um Mamute caminhando a passos largos. Se apressem e o possuam, pois tal Mamute é a história do egoísmo e, também, do altruísmo.


12.10.14

Publicação do livreto "Mamute"



Coloco a disposição este livreto intitulado "Mamute" que traz em si um poema homônimo e outro que atende por "Insônia: a criação do espaço-tempo".
O livreto estará disponível para leitura e download gratuitos à partir do dia 18 (oportunamente) depois das 18 horas.

"No holoceno, os dias são espessos e os Mamutes são poucos." - Mamute, Victor Prado
.

"A noite sem dormir
Submergido num universo criado
                                      de mim

Simples abrigo de monstros
e de realidades
                      mutantes

Um espaço-tempo regido

                             por um deusditador." - Insônia: a criação do espaço-tempo, Victor Prado

8.10.14

Necessidade

é carregar o peso de um mundo sem poder te tocar,
o sentimento que enxergas em mim.

perceber aquilo que te digo não é o mesmo que escrever palavras ditadas
nem ter a tranquilidade para ditá-las;
poderia ser a água com a qual desejamos nos afogar
ou a gota que falta na Cantareira.