o curso do rio,
siga o curso do rio
tu me
repetias
mas eu não
entendo teus diagramas
tuas
resoluções tuas limiares
tuas
concessões
eu não
entendo quando tu apontas o dedo pra lá do próprio horizonte
e com
dentes frouxos salivas essas palavras de um dialeto que deveria morrer
segue o rio
só isso
aquele que vira depois da mata
aquele que corta pulsos
aquele rio
segue o curso dele
sabe quando
a gente balança a cabeça depois de muito tempo sem ter que balançar a cabeça? vem
o medo do torcicolo? ou o medo de esquecer como se balança a cabeça? sabe
quando a gente olha e vem a vontade de balançar a cabeça?
porque sim
porque ele não é fundo
porque ele é calmo
porque bebe-lo é quase ascender ao
impossível
é brotar-se igual feijão num copo
qualquer
é despojar-se e dizer ao vento:
cuspa-me
por essas estradas
e não me
olhe nos olhos
deita-me,
então, e desposa-me
faça de mim
redemoinhos
e numa
curva qualquer esqueça-me,
pois sou
tua, mas não sou pra sempre.
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