Te digo enormes coisas
tremendas
de vindas e ventos
2.
Olhar com as mãos
é perceber o inconcebível:
entender que o mundo é pedra
de tropeço
que se joga na têmpora alheia
3.
Comer as unhas dos pés
e morrer no sorriso ao lado
depois roubar a consciência
das sementes
e crescer e espalhar-se
4.
Desmaiar na casa da vizinha
e sonhar os sonhos de ardósia
então: lembrar-se
e rir-se
e doer-se
5.
Somos sementes e chuvas
e crescemos na terra que são os outros
6.
E como dói a consciência.
E como dói supor-me sem ela.
30.8.14
Quem Chegar por Último é Mulher do Tempo
(e no fim
perceber que, ainda,
nossas flores de chumbo
permanecem desabrochadas)
É inaugurar sonhos,
o frio na barriga;
Ver o senhor de bigode
apontar ao céu
e disparar o início:
E todos corremos
quase mudos, cheios de foco,
sem notarmos as janelas abertas, as portas,
As mulheres a acenar dos quintais,
os homens a cantar nas janelas,
as crianças a brincar na terra.
Corremos. Tão somente, corremos.
Nosso objetivo é maior que nós,
nosso caminho é maior,
nós não somos.
E nosso cabresto é exato.
Mas existem os que não correm,
os que acenam e cantam e brincam,
os que reparam a vida.
E seus cabrestos são objetos empoeirados
no fundo de baús esquecidos.
(Para alguns a linha de chegada chega primeiro. Somente alguns percebem.)
22.8.14
Azul-Infinito: um poema que virou vídeo
Perto do fim
de cada
tarde
todos nós
nos perdemos
entre
sonos
Nos
afundamos nos
travesseiros
do dia e nos cobrimos com
os
cobertores da noite
II
Perto do fim
de cada sono
todos nós
nos perdemos
entre
tardes
mergulhamos
na vertigem do dia e
nos afogamos
na calmaria da noite
III
Perto do fim
de cada nós
todas as
tardes se perdem
entre
sonos
e se
dissipam como
n u v e n s
num céu azul-infinito.
14.8.14
Publicação - Revista Grito
A Revista Grito acaba de publicar um texto meu em seu site, o poema em questão se chama Pequenina e pode ser lido na íntegra aqui.
| Foto: M.A.f.I.A |
Triste criança feliz
Ainda não cresceu
Ainda não comeu[...]
Tem que ser
pequena
Pra caber na casa
Pra não comer muito
Pra pensar pouco
1.8.14
R.E.M
A cronologia inconsistente, e quase inexistente, do surrealismo e o silêncio das personagens são a base para este curta que retrata a relação existente entre uma pessoa e seu passado.
Aterrorizada pelas lembranças, a personagem principal busca refúgio em seu inconsciente, porém nesse local onde deveria haver somente natureza e tranquilidade ela encontra seu maior medo, o próprio passado.
Esse “passado” mostra-se como um ser escuro e sem piedade que passa a persegui-lá incansavelmente. Porém, num momento de quase-consciência a garota se recorda de tudo que há no presente e no futuro e se transporta para esses tempos. Consegue, por fim, sentir-se segura e feliz.
Infelizmente ela esqueceu-se do passado, mas o passado não se esqueceu dela.
R.E.M
Gênero: Curta | Sub-gênero: Surrealismo / Cinema Mudo
Profº Orientador: Bruno César
Roteiro/Direção/Edição: Victor P. | Auxiliar de Direção: Milena M.
Elenco: Angelica B., Beatriz D. e Fernando P.
Trilha Sonora: Get to France - Mogwai
Does This Always Happen? - Mogwai
Revenga - The String Quartet
Violent Pornography - The String Quartet
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