Victor Prado: agosto 2014

30.8.14

Discernimento

Te digo enormes coisas
tremendas
de vindas e ventos

2.
Olhar com as mãos
   é perceber o inconcebível:
   entender que o mundo é pedra
                       de tropeço
que se joga na têmpora alheia

3.
Comer as unhas dos pés
e morrer no sorriso ao lado
depois roubar a consciência
das sementes
e crescer e espalhar-se

4.
Desmaiar na casa da vizinha
e sonhar os sonhos de ardósia
então: lembrar-se
        e rir-se
        e doer-se

5.
Somos sementes e chuvas
e crescemos na terra que são os outros

6.
E como dói a consciência.
E como dói supor-me sem ela.

Quem Chegar por Último é Mulher do Tempo

(e no fim
perceber que, ainda,
nossas flores de chumbo
permanecem desabrochadas)

É inaugurar sonhos,
o frio na barriga;

Ver o senhor de bigode
apontar ao céu
e disparar o início:

E todos corremos
quase mudos, cheios de foco,
sem notarmos as janelas abertas, as portas,

As mulheres a acenar dos quintais,
os homens a cantar nas janelas,
as crianças a brincar na terra.

Corremos. Tão somente, corremos.
Nosso objetivo é maior que nós,
nosso caminho é maior,
nós não somos.
E nosso cabresto é exato.

Mas existem os que não correm,
os que acenam e cantam e brincam,
os que reparam a vida.
E seus cabrestos são objetos empoeirados
no fundo de baús esquecidos.

(Para alguns a linha de chegada chega primeiro. Somente alguns percebem.)

22.8.14

Azul-Infinito: um poema que virou vídeo


Perto do fim
de cada tarde
todos nós nos perdemos
entre
sonos

Nos afundamos nos
travesseiros do dia e nos cobrimos com
os cobertores da noite

II

Perto do fim
de cada sono
todos nós nos perdemos
entre
tardes

mergulhamos na vertigem do dia e
nos afogamos na calmaria da noite

III

Perto do fim
de cada nós
todas as tardes se perdem
entre
sonos

e se dissipam como
n           u         v         e          n         s 
num céu azul-infinito.

14.8.14

Publicação - Revista Grito

Revista Grito acaba de publicar um texto meu em seu site, o poema em questão se chama Pequenina e pode ser lido na íntegra aqui.
Foto: M.A.f.I.A



















Triste criança feliz
Ainda não cresceu
Ainda não comeu
[...]
Tem que ser
                    pequena
Pra caber na casa
Pra não comer muito
Pra pensar pouco

1.8.14

Soneto 1 - Vídeopoema


R.E.M



A cronologia inconsistente, e quase inexistente, do surrealismo e o silêncio das personagens são a base para este curta que retrata a relação existente entre uma pessoa e seu passado.
Aterrorizada pelas lembranças, a personagem principal busca refúgio em seu inconsciente, porém nesse local onde deveria haver somente natureza e tranquilidade ela encontra seu maior medo, o próprio passado.
Esse “passado” mostra-se como um ser escuro e sem piedade que passa a persegui-lá incansavelmente. Porém, num momento de quase-consciência a garota se recorda de tudo que há no presente e no futuro e se transporta para esses tempos. Consegue, por fim, sentir-se segura e feliz.
Infelizmente ela esqueceu-se do passado, mas o passado não se esqueceu dela.

R.E.M

Gênero: Curta | Sub-gênero: Surrealismo / Cinema Mudo

Profº Orientador: Bruno César

Roteiro/Direção/Edição: Victor P. | Auxiliar de Direção: Milena M.

Elenco: Angelica B., Beatriz D. e Fernando P.

Trilha Sonora: Get to France - Mogwai

Does This Always Happen? - Mogwai
Revenga - The String Quartet
Violent Pornography - The String Quartet