Victor Prado: Quem Chegar por Último é Mulher do Tempo

30.8.14

Quem Chegar por Último é Mulher do Tempo

(e no fim
perceber que, ainda,
nossas flores de chumbo
permanecem desabrochadas)

É inaugurar sonhos,
o frio na barriga;

Ver o senhor de bigode
apontar ao céu
e disparar o início:

E todos corremos
quase mudos, cheios de foco,
sem notarmos as janelas abertas, as portas,

As mulheres a acenar dos quintais,
os homens a cantar nas janelas,
as crianças a brincar na terra.

Corremos. Tão somente, corremos.
Nosso objetivo é maior que nós,
nosso caminho é maior,
nós não somos.
E nosso cabresto é exato.

Mas existem os que não correm,
os que acenam e cantam e brincam,
os que reparam a vida.
E seus cabrestos são objetos empoeirados
no fundo de baús esquecidos.

(Para alguns a linha de chegada chega primeiro. Somente alguns percebem.)

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