Sobe na cadeira e faz um escândalo
Hoje é 16
do primeiro mês
do ano do ceifeiro
Sobe na cadeira
Senta com as pernas abertas
E os braços cruzados e pergunte a sua tia sobre o galinheiro
Tua prima não é uma galinha
Teu tio não é um pastor alemão, mas tem o bafo
E as facas e os porretes e os tranquilizantes e as tesouras
E todo o carinho do mundo para tosquiar as árvores que guardam a calçada de casa
As ovelhas de olhos vermelhos e patas trêmulas agradecem
Agora, levanta da cadeira
Come os bolinhos que sua vó fez com a chuva e com o óleo
Hoje, a oca quase virou fogueira
Sua vó poderia ser uma química de renome que viveria igual a Adélia,
Fazendo experimentos com palavras e descobrindo novos sentimentos radioativos
Novos jeitos de brilhar a aura quando se mostra os dentes pra um comentário sem graça
Promete pra mim
Que sim, que mesmo que sua mãe te tranque nessa gaiola
E engula a chave, como de costume
Tu continuarás a sentar na janela e aumentarás a frequência de teus cantos
Que tuas penas não se transformarão em escamas brilhantes de verde e vermelho
Nunca.
Se quiser até peço uma pílula pra sua avó química
ou mesmo a receita do feijão que você gosta;
mas se tua mãe te trancar nessa gaiola de garras febris
promete
que tu subirás nessa cadeira e farás um escândalo?
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